terça-feira, 4 de novembro de 2014

alto-mar por você


A cada pirueta que você dá
um tom de violeta
inunda o seu bailar
fico encantado ao vê-la voar
em seu grand-jeté
como eu queria ser o seu par
queria o meu destino
junto ao seu dom
e o estilo manuelino
no que tem de bom
pra erigir um belo altar
na intenção de entronizá-la
no lugar de uma deusa
sou um barco navegando
alto-mar por você
a me desbravar sem medo
com um desejo incontido
invadindo a canção
crepuscular estação
do amor não correspondido
tal como o sol
no arrebol
eu morro com vida
plié aqui
jeté ali
socorro, querida

quero viver
só pra você
de hoje
pra sempre.


Bailarina,
Dja - van

jcDmeloneto

O relógio -

Ao redor da vida do homem
há certas caixas de vidro,
dentro das quais, como em jaula,
se ouve palpitar um bicho.

Se são jaulas não é certo;
mais perto estão das gaiolas
ao menos, pelo tamanho
e quadradiço de forma.

Umas vezes, tais gaiolas
vão penduradas nos muros;
outras vezes, mais privadas,
vão num bolso, num dos pulsos.

Mas onde esteja: a gaiola
será de pássaro ou pássara:
é alada a palpitação,
a saltação que ela guarda;

e de pássaro cantor,
não pássaro de plumagem:
pois delas se emite um canto
de uma tal continuidade.


- João C. de MN

deholanda


[...] Que a saudade é o pior tormento -

"Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Pra seguir viagem
Quando a noite vem
E também pra me perpetuar em tua escrava"


- Chico B.

domingo, 2 de novembro de 2014

hreis

[...] E eu acho que já estourei minha cota de poesia. [...]
- Eu percebo que estourei minha cota de juízo -

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

E Hughes G


[...] O corpo não é uma máquina como nos diz a ciência. Nem uma culpa como nos fez crer a religião. O corpo é uma festa.[...]

Eduardo G.

-

 "A memória guardará o que vale a pena. A memória sabe de mim mais que eu; e ela não perde o que merece ser salvo"


-
Serendipity

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

ósos

-

Em minhas madrugadas de sono ela aparece.
Tuas mãos de fazer um sexo-segredo, sem que o resto do corpo saiba.
Me convidam. Fazemos dos compridos fios de moralidade, um coque.
Para que não limite nossas piruetas
E deixe livre sua liberdade
De ser mulher
De ser poeta
De ser balle
t
Na ponta dos pés, surge, tal como desaparece.
E espero minutos-infinitos até teu próximo ato.
“Já reparou que a gente nunca se viu ?”
Apenas te leio, aqui, dentro dessa caixinha sem música.
Que abro vez em quando pra fugir do mundo,
Em minhas madrugadas de sono, sem sono.
E pra assistir teu espetáculo.
De ser apenas quem se é.
Me mostrando os fragmentos de ti.
Só para me testar.
Os calos que a vida te deixou,
Te fazem se calar.
Eu que nada mais tenho a temer.
Me desnudo.
E te convido, pegando pela mão,
A caminhar-bailar comigo,
sem roupa,
Na orla do mundo,
No palco do cotidiano,

Iluminados pelo luar,
Onde enfim poderemos nos enxergar de verdade...

-

Sobre a bailarina da poesia de rua