quinta-feira, 16 de outubro de 2014

neru


Por mim, gosto dos grandes vinhos, do amor, dos sofrimentos e dos livros como consolo para a inevitável solidão. Tenho até certo desprezo pela cultura como interpretação das coisas, me parece melhor um conhecimento sem antecedentes, uma absorção física do mundo, apesar de e contra nós mesmos. A história, os problemas “do conhecimento”, como são chamados, me parecem despojados de dimensão. Quantos deles encheriam o vazio? Cada vez vejo menos ideias ao meu redor, e mais corpos, sol, suor.


                                                                                                       -   in Confesso que Vivi

terça-feira, 14 de outubro de 2014

ah, carlos


"Abriu-se em calma pura, e convidando quantos sentidos e intuições restavam a quem de os ter usado os já perdera e nem desejaria recobrá-los, se em vão e para sempre repetimos os mesmos sem roteiro tristes périplos, convidando-os a todos, em corte, a se aplicarem sobre o pasto inédito da natureza mítica das coisas”

A Máquina do Mundo
CDA

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

quinnda

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Quando olhaste bem nos olhos meus,

E o teu olhar era de adeus.
Juro que não acreditei.
Eu te estranhei, me debrucei, sobre teu corpo,
E duvidei, e me arrastei, e te arranhei,
E me agarrei nos teus cabelos, nos teus pelos,
Teu pijama, nos teus pés, ao pé da cama,
Sem carinho, sem coberta,
No tapete atrás da porta,
Reclamei baixinho.

Dei pra maldizer o nosso lar,
Pra sujar teu nome, te humilhar,
E me vingar a qualquer preço.
Te adorando pelo avesso.
Só pra mostrar qu'inda sou tua.
Até provar qu'inda sou tua.

-

Chico B., Atrás da Porta -

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

invencioná-tica

Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.


Infâncias de Manoel de Barros

1verdade


"Mas se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão a luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos"

G.G.M.

do amor e outros demônios

Confessou que não passava um instante sem pensar nela, que tudo o que comia tinha gosto dela, que a vida era ela a toda em toda parte, como só Deus tinha o direito e o poder de ser, e que o gozo supremo de seu coração seria morrer com ela.


Gabriel Garcia Marquez

quarta-feira, 3 de setembro de 2014